Ciência volta a debater hipótese de que o universo pode ser uma simulação
Uma teoria que durante décadas esteve restrita à ficção científica voltou ao centro do debate científico internacional: a possibilidade de que o universo funcione como uma gigantesca simulação computacional.
A discussão ganhou força após novos estudos do físico Melvin Vopson, da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido. O pesquisador propôs uma nova regra teórica chamada Segunda Lei da Infodinâmica, que busca explicar como a informação se comporta no universo.
A ideia parte de um dos pilares da física moderna: a segunda lei da termodinâmica, que estabelece que a entropia — medida da desordem de um sistema — tende sempre a aumentar.
No entanto, ao analisar sistemas baseados em informação, Vopson observou um comportamento diferente. Em vez de aumentar, a entropia informacional pode permanecer constante ou até diminuir, sugerindo que o universo poderia operar com mecanismos de otimização e compressão de dados, semelhantes aos usados em computadores.
Essa hipótese se conecta a um campo emergente conhecido como física da informação, que considera a informação como um elemento fundamental da realidade.
Estudos anteriores estimam que toda a matéria do universo observável armazene aproximadamente 6 × 10⁸⁰ bits de informação, indicando que partículas elementares podem funcionar como unidades básicas de armazenamento de dados.
O pesquisador também analisou mutações genéticas do vírus SARS-CoV-2 e encontrou indícios de que mutações podem seguir padrões que reduzem a entropia informacional — comportamento que lembraria processos de otimização presentes em sistemas computacionais.
Outra hipótese associada sugere que a própria gravidade poderia ser interpretada como um mecanismo natural de compressão de informação, organizando matéria de maneira mais eficiente.
Apesar do impacto das ideias, a maioria dos cientistas afirma que as propostas ainda são altamente especulativas.
A chamada Hipótese da Simulação, popularizada pelo filósofo Nick Bostrom em 2003, argumenta que civilizações tecnologicamente avançadas poderiam ter capacidade de simular universos inteiros. Caso isso seja possível, existiria a probabilidade estatística de que a realidade percebida seja, na verdade, uma dessas simulações.
Por enquanto, porém, não existe evidência experimental capaz de confirmar essa hipótese.
O debate segue aberto — na fronteira entre ciência, filosofia e tecnologia.
E uma pergunta que antes parecia exclusiva da ficção científica volta a ecoar nos laboratórios e universidades:
Será que o universo é real… ou apenas um código extremamente sofisticado?
