O Brasil se despede de Ricardo Schnetzer, uma das vozes mais emblemáticas da história do cinema e da televisão no país. O ator, dublador e diretor morreu no dia 4 de fevereiro de 2026, aos 72 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por familiares nas redes sociais e repercutiu em veículos de alcance nacional.
Nos últimos meses, Ricardo Schnetzer enfrentava publicamente a esclerose lateral amiotrófica, doença neurológica degenerativa anunciada por ele em 2025. A luta pela vida mobilizou colegas de profissão, fãs e admiradores, que acompanharam de perto seu tratamento e prestaram apoio ao artista.
Trajetória e formação
Nascido no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer formou-se pela Escola de Teatro da FEFIEG, atual UNIRIO. Iniciou sua carreira nos palcos, mas foi na dublagem que construiu um legado definitivo. A partir da década de 1970, passou a atuar profissionalmente no setor, integrando estúdios históricos da dublagem brasileira.
Seu primeiro contato com a direção de dublagem ocorreu nos estúdios Herbert Richers, onde trabalhou por muitos anos, tanto como voz quanto como diretor. Ao longo da carreira, também passou por estúdios como Audio Corp, Bluebird e Alcateia, sempre mantendo um padrão elevado de interpretação e rigor técnico.
Vozes que marcaram gerações
Ricardo Schnetzer tornou-se referência nacional ao dublar grandes nomes do cinema internacional. Sua voz esteve associada, em diferentes produções, a atores como Al Pacino, Tom Cruise, Nicolas Cage e Richard Gere, especialmente em redublagens e exibições na televisão brasileira.
Nas animações, deixou sua marca em personagens queridos do público, como o Mestre Macaco, da franquia Kung Fu Panda, Maurice, em Madagascar, e Hank, da clássica série Caverna do Dragão. Também foi a voz habitual do ator mexicano Fernando Colunga nas novelas exibidas pelo SBT, criando uma forte identificação junto ao público brasileiro.
Direção e influência na dublagem
Além do trabalho no microfone, Ricardo Schnetzer teve papel fundamental como diretor de dublagem. Ao longo de décadas, contribuiu para a formação de novos profissionais e para a consolidação de padrões de qualidade que ajudaram a transformar a dublagem brasileira em referência internacional.
Reconhecido nos bastidores como exigente, generoso e profundamente comprometido com o ofício, influenciou gerações de dubladores que hoje atuam nos principais estúdios do país.
Doença, mobilização e despedida
Em 2025, ao tornar público o diagnóstico de ELA, Schnetzer recebeu uma grande onda de solidariedade. A progressão da doença levou ao agravamento de seu estado de saúde e, conforme relatos da família, ao falecimento no início de fevereiro de 2026. A notícia gerou comoção no meio artístico e entre fãs que cresceram ouvindo sua voz.
Legado
O legado de Ricardo Schnetzer permanece vivo. Sua voz segue presente em filmes, séries, animações e produções que continuam sendo exibidas e revisitadas pelo público. Mais do que dublar personagens, ele traduziu emoções, personalidades e histórias que se tornaram parte da memória afetiva de milhões de brasileiros.
Uma trajetória que se encerra, mas uma obra que permanece. No Alô Você, a lembrança é de respeito, gratidão e reconhecimento a quem ajudou a contar histórias com a própria voz.

